| - - C O N N E X U S - - |
(
Com * imagem e texto enviados por Alan Gullo )
:
" AO ESPELHO"
(
Rubem Braga )
Tu, que não foste belo nem perfeito,
Ora te vejo (e tu me vês) com tédio
E vã melancolia, contrafeito,
Como a um condenado sem remédio.
Evitas meu olhar inquiridor
Fugindo, aos meus dois olhos vermelhos,
Porque já te falece algum valor
Para enfrentar o tédio dos espelhos.
Ontem bebeste em demasia, certo,
Mas não foi, convenhamos, a primeira
Nem a milésima vez que hás bebido.
Volta portanto a cara, vê de perto
A cara, tua cara verdadeira,
Oh Braga envelhecido, envilecido.
* [ Arte : Francis Bacon ] .
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Giorgia por
Migas :
[
Coisas Bobas . 5 de Junho de 2003 ] .
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Anielle por ela mesma :
Veja também :
"Google and Coloured Life"
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TAMBÉM AMÁLGAMA
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Belchior, Almodóvar e Jobim
"
Uma manhã que me acalma a alma. Onde nada se enxerga além de poucos metros.
No apartamento, oitavo andar, abro a vidraça mas não grito quando um carro passa.
Teu infinito sou eu, já disse Belchior. Na letra a se confundir com a inefável paisagem.
Só, eu busco você em todos os desencontros calados de minha mente. Mas é em vão . "
(
Emerson - '
Anomia ' . Em 5 de Junho de 2003 ) .
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Fernanda -
Meias Palavras :
"
O Arnaldo Antunes , pra mim , era a cabeça e o coração do Titãs. Depois que ele saiu , eu achei que a coisa esfriou demais , ficou comercial demais. Ou apenas "compreensível" demais. :) Quando ouvi um trabalho solo do Nando Reis (aquele que foi super divulgado (...) tinha aquela "Então me diga / Se você ainda gosta de mim / Porque de você eu gosto") gostei pra caramba , e vi o quanto do Titãs vinha dele . Agora, que não há mais nem um nem outro, não faço nem questão de ouvir ( ... ) "
>> Mais aqui >> [
= ] .
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* Confessado por
Ricardo Pessanha :
" Me considero jornalista ( tá bom, eu sei que não pode começar frase com pronome oblíquo . Mas não fica melhor assim? ). Apesar de trabalhar com marketing no meu dia-a-dia e de ter estudado bastante literatura , sempre que tenho que preencher uma ficha, no item profissão eu coloco "jornalista". Como frila, escrevo para muitas empresas , nenhuma delas um veículo jornalístico . Mas, porém , todavia, contudo , me considero um jornalista. Tento ter sempre um texto direto , objetivo, carregado de significado, e tenho hoje em dia um enorme bloqueio para escrever ficção. Mas admiro, invejo (na boa) e respeito muito um bom texto ficcional - uma bela crônica, um conto surpreendente, um bom texto publicitário , um diálogo vivo. E estes últimos são os que mais admiro . Bons diálogos são os que mais me suscitam aquela velha frase, "eu queria ter escrito isso". Pois bem, para quem gosta de diálogos ágeis e bem esgrimidos, tem uma série imperdível na TV a cabo: "Sex and the City". É, sem dúvida, uma das melhores coisas que apareceram na TV nos últimos anos . Uma reflexão bem-humorada sobre relacionamentos "mudernos" entre urbanos encucados observados do ponto de vista de uma jornalista, ela mesma "muderna" e encucada ".
* [
Crossroads - 28 de maio de 2003 ]
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Pablo Simpson - "
Eutrapelias "
:
Outros ventos trouxeram nossas cicatrizes.
Um suor me recobre, pesa nestes ombros
a flor de encontro dúbio. Assim perdi
tanto em buscá-la, tanto em desfazer.
As mãos sobre as coxas, o sexo já confessado.
Tão poderosa e viva e assim tão pura
a luminosidade dos azuis.
E aspirei contigo o perfume casto das cerejas,
também desfeito. O matiz inseguro de tuas nuvens.
Fluorescência do âmbar, do rastro:
o segredo revelado, não te espantes.
E é o mesmo teu silêncio, amparando as estátuas
as que houvera na morte e o sonho de suas noites .
(
Inspirado em '
Baroque Venus ' ,
foto de Mayumi Kimura ) .
. . . . . . . .
" Interscriptum " :
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. . .
[
Adriana Paiva -
Periplus ]
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Citado por
Ane Walker :
O Cacto
Aquele cacto lembrava os gestos desesperados da estatuária:
Laocoonte constrangido pelas serpentes,
Ugolino e os filhos esfaimados.
Evocava também o seco nordeste, carnaubais, caatingas...
Era enorme, mesmo para esta terra de feracidades excepcionais.
Um dia um tufão forimbundo abateu-o pela raiz.
O cacto tombou atravessando a rua,
Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Impediu o trânsito de bondes, automóveis, carroças,
Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas privou a cidade de iluminação e energia:
- Era belo, áspero, intratável.
Petrópolis, 1925.
Manuel Bandeira – Libertinagem . In : Estrela da Vida Inteira . 2 ª edição - 1993. Editora Nova Fronteira .
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"
Pane e Tulipani " ( Por :
Rogério - '
Porta Lateral ' )
" Ela tenta juntar as duas partes quebradas de um pequeno souvenir de porcelana, sem sucesso acaba desistindo e deixando, talvez, para mais tarde... uma cena tão suave e despretensiosa como todas as outras de "Pão e Tulipas", de Silvio Soldini. Uma dona de casa acomodada , um marido "atencioso" com a esposa, os filhos entediados e a amante, um garçon prestes a cometer suicídio, um encanador solitário viciado em livros policiais que acaba virando detetive, uma massagista sem sorte para o amor que foi beijada pela primeira vez em um cemitério , um anarquista rabugento dono de uma floricultura que tenta convencer -- violentamente! -- seus clientes que para cada ocasião existe uma flor apropriada. De repente, uma viagem interrompida por uma desatenção abre espaço para que a vida se apresente renovada. Pelas ruas de Veneza, a dona de casa redescobre o prazer de viver e tem uma oportunidade para mudar seu destino e, por consequência e coincidência, de todas as pessoas que estão em sua volta. Jantares, diálogos inventados com pessoas invisíveis, um emprego, um acordeon, tulipas, bilhetes, cafés servidos em todas as manhãs e o amor, agora tomam o lugar do que antes estava "quebrado" e parecia não ter solução" .
. . . . . . . . . .
Recorte : Foto promocional do
filme ( inserida por
Adriana ) .
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* Escrito por
Ana Lu --
Lemniscata :
"
São quatro os que sopram nos quadrantes.
Os que instalam tormentas e vontades.
Controlam e harmonizam os elementos.
Transformam e prenunciam um novo tempo.
Junho, quase término da metade do ano.
E para tal, um encontro com os ventos que chegam
E abrem esses próximos trinta dias:
Bóreas, também chamado Setentrião,
Nasce no Norte. É frio e rigoroso.
Zela pela fertilidade da natureza e combate
A poluição do campo telúrico. É o protetor de Gaia.
Zéfiro, nosso já conhecido amigo, têm
Como alcunha Favônio, vêm do Oeste.
É o que prenuncia as tempestades, daí sua presença
Nesse espaço e depois no Letra de Corpo.
Comanda as águas em todas as suas vertentes.
Euro é o vento do Leste. É o que equilibra o Ar.
Tem como sinônimo Vulturno.
Noto ou Astro é o que sopra no Sul, controlando o Fogo . "
* [
Publicado em 03 de junho de 2003 ] .
.......
LXXXVI
Los ojos por que suspiras,
sábelo bien,
los ojos en que te miras
son ojos porque te ven.
(
Antonio Machado , Proverbios y Cantares )
Publicado por Aly / no Letteri Café